3 MINUTOS


Eu não costumo pensar muito não, quando me dá 3 minutos vou lá e faço. E pronto, tá feito, tá decidido. Aqueles minutos que eu jogo tudo para o alto, mando um foda-se em silêncio e respeito as minhas vontades tem sido cada vez mais frequentes. Às vezes são minutos de prazer, outras vezes são minutos de alívio, muitos minutos se estendem em horas de alegrias e outros minutos viram dias de arrependimento. Minutos que mudam totalmente o ruma da vida, mas eu não me importo, não mais. Prefiro não perder meu tempo pensando, recalculando e sofrendo por antecipação, porque isso eu já fiz demais.

Eu já pedi 3 minutos para ter tempo de poder me explicar, fiquei por mais de uma hora implorando que voltasse atrás e dei chances durante muito tempo para quem não merecia ficar. Já me dediquei anos de amor e coloquei um ponto final em segundos. Rasguei a página, comecei um novo capítulo e em pouco tempo mudei a história da minha vida. Me agradeço todos os dias pelas minhas escolhas, por mais doídas e doidas que são, foram elas que me fizeram olhar o mundo de uma maneira diferente. Resgatar forças e seguir em frente, é uma das coisas mais comuns que faço hoje.

Não é justo eu continuar carregando nada além do que eu carrego. Apesar da coragem que eu plantei em mim, eu ainda tenho algumas inseguranças, mágoas e paranoias. E eu aprendi a segurar essa onda sozinha, faço o que eu posso para não depender de ninguém para me curar. Aprendi também a não ter medo da solidão, criei meu próprio mundo onde só as pessoas que me aceitam tem o direito de permanecerem. Aprendi também a ser egoísta, se não conseguem admitir o mal que me fizeram, não vou estender isso em julgamentos e implorar pelo perdão que me devem. Eu consigo decidir em apenas 3 minutos se eu suporto, se eu permaneço ou se eu vou embora de vez.

Descobri que não preciso ficar me martelando tanto se o único motivo é o que me faz sofrer, a palavra mesmo já diz. Se feriu meus sentimentos, se perdeu o respeito e se quebrou a minha confiança, não vai ser a pessoa quem fez isso que vai consertar, somente eu vou ser responsável por colar os pedaços e achar o remédio para me curar. Tá tudo bem aqui, ninguém precisa se preocupar. Eu me restauro com a minha loucura e me distraio com a minha presença. É normal eu me desequilibrar de vez em quando, chorar um pouco, desabafar e achar que eu preciso de alguém, quando o que eu mais preciso é de uns 3 minutos de silêncio para me encontrar de novo, apoiar no meu orgulho, respeitar o meu egoísmo e abraçar o meu amor-próprio.

Maíra Cintra

6 comentários:

Juliana disse...

SIMPLESMENTE DEMAISSSSS. DE ARREPIAR

Vivian disse...

MAíra, vc me surpreende a cada texto. Parabéns.

luciacasaes disse...

Maravilhoso!

Cinthia Cardoso disse...

Perfeito!!!

Aide disse...

você tem cara de menina e escreve com a maturidade de uma anciã! Parabéns pra você que define tão bem o sentimento feminino!

Luiza Helena Machado Renó disse...

Simplesmente maravilhoso. Adoro ler tudo que evem de você.