A MELHOR IDADE É AOS 30


Sexta-feira à noite. Pra ser mais exata, 14 de outubro de 2016, 22 horas e 15 minutos. Coloquei a pipoca para estourar enquanto estou sentada na sala, com a TV no mudo, a cerveja no braço do sofá e o celular vibrando mensagens de pessoas me chamando pra sair. Tem dias que é assim, nada me interessa. No meio do dia eu já planejava escrever, como se houvesse uma necessidade de colocar algumas coisas pra fora. Enquanto eu me recuso a colocar um salto, uma roupa legal e passar uma maquiagem, escrevo esse texto pensando no que eu tenho para escrever lá na frente, de tão ansiosa que eu sou. Me faz bem ficar sozinha no meu próprio silêncio. Me pego questionando várias coisas, principalmente as que não me fazem bem e que devo definitivamente evitar.

Esses dias um colega de trabalho me fez refletir, me perguntou se eu não sentia saudades da minha adolescência. Eu voltei uns 10, 15 anos atrás e respondi: “Nunca fui tão feliz”. Isso não tem nada a ver com baladas e festas, mas em conquistar a própria independência e não ser mais dependente de quem não me faz bem. Eu fui uma menina muito ingênua, não tinha voz pra nada e era muito apegada as pessoas. Mas chega uma certa idade que as expectativas acabam, nada mais te abala, as escolhas das pessoas não fazem diferença e algumas agressões passam a ser facilmente ignoradas.

“Tanto faz” torna-se um sentimento que nos livra de muitas coisas. Tanto faz se ele não me quer mais. Tanto faz se ignoraram minha mensagem. Tanto faz se agradei ou não. Tanto faz se eu ficar em casa no sábado à noite. Nessa idade aprendemos a dizer não sem remorso, a falar do passado sem raiva e a contar sobre o último final de semana (que foi uma tragédia) com muitas risadas. Aos 30 anos muitas coisas já foram aprendidas a custo de erros e sofrimentos. Nós não perdemos a capacidade de amar, só selecionamos melhor para a história não se repetir. Mesmo porque, para uma mulher de 30, “tanto faz” se ela estiver namorando, casada ou solteira, ela passa a priorizar o amor próprio e aproveita sem remorso a delícia de ser quem é. 

Eu aprendi a viver no susto, se não me arranca qualquer tipo de emoção eu saio fora. Não tenho mais paciência para entrar em joguinhos. Há muito tempo já passei a fase do famoso charminho. Se estou com vontade vou lá e faço, se eu me arrepender, amanhã é outro dia. Qualquer coisa não planejada que aconteça, é só uma questão de tempo para conseguir arrumar a bagunça. Eu gosto de viver com clareza, sou espontânea demais para não dizer o que me incomoda. Se você me encontrar por aí vai perceber, que eu me divirto com nada e dou risada de tudo. E não confunda esse meu jeito, eu não estou perdida, essa minha loucura é justamente uma forma que achei de me encontrar. 

Maíra Cintra

19 comentários:

Dani disse...

Texto perfeito. Parabéns Maira

anderboxx disse...

Parabéns

Flávia Mendes disse...

Muito bom!

Lidiane Lidy disse...

Interessante !

Deise Muniz disse...

Perfeito, vc e perfeita belas palavras parabens poeta.....

Maíra Cintra disse...

Obrigada Dano! Feliz pela sua visita ao blog!

Maíra Cintra disse...

Gratidão <3

Maíra Cintra disse...

Obrigada! Volte sempre!

Maíra Cintra disse...

Obrigada <3

Maíra Cintra disse...

Obrigada Deise! Gratidão... volte sempre <3

nayara disse...

Otimo..e realmente assim.

Denise Araujo disse...

Muito bom!!! Amei o texto e todas as suas postagens.

Maíra Cintra disse...

Obrigada Nayara! Volte sempre!

Maíra Cintra disse...

Fico feliz Denise. Seja sempre bem-vinda!

Virgínia Mello disse...

Sensacional! Me vi em cada frase rs ��

Juliana Guedes disse...

Muito bom o texto. Exatamente assim que me sinto!!!

Michele andrade disse...

Amei! Super me identifiquei!

Swonkie disse...

Enviamos um convite para o teu email :)

nanninha disse...

Tão bom esse "tanto faz" �� Amor próprio é tudo !! Amei Maira ��������