As idas, as vindas e as voltas que o mundo dá.


A princípio, eu gostaria de começar dizendo que "voltar" não é sinal de fraqueza, aliás, é ser maduro o suficiente em reconhecer que é preciso recuar para poder resgatar forças e continuar. A vida passa rápida demais para lamentarmos pelo que não conseguimos conquistar e ela fica mais fácil quando deixamos de nos importar sobre o que as pessoas vão pensar das nossas decisões.

Já me vi em situações absurdas onde cheguei a me questionar o que eu fiz para sentirem tanta antipatia por mim. Já fui criticada pelo que escrevi, duramente difamada, traída, já fui piada e deixada de lado por motivos insignificantes. Hoje, eu olho pra trás com outros olhos e sinto um orgulho enorme das minhas escolhas, de tudo que eu fiz sem ter que precisar retribuir o mal a quem me fez mal. Foi desta forma que descobri o significado da frase "Cada um colhe o que planta" e "...oferece o que tem". 

Não vou esconder as comparações que faço. Não sou hipócrita de dizer que não dou risada de quem deixei ou me deixou pra trás, de quem coloquei de lado ou de quem ficou lá embaixo, de tão baixo que foi. De ter uma pontinha de ironia nos lábios ao pensar: -"isso é merecimento". Descobri que pessoas são do tamanho de suas atitudes e vivem em um mundinho vasto para se tornarem seres comuns, que acabam por merecerem ser o tédio que são. 

Se tem uma coisa que aprendi nesses meus trinta anos de vida foi a não se lamentar com as partidas. Aprendi a deixar partir sem ter necessidade alguma de implorar para ficar. Aprendi a sair sem pedir licença e sem me sentir culpada por por isso. E aprendi que não importa quantas voltas o mundo dá, a vida vez ou outra faz uns caminhos meios tortos e a gente acaba se encontrando no final.

Não posso negar que tudo que passei doeu muito durante todos esses anos. Durou até eu descobrir que não preciso implorar por migalhas, nem aceitar desaforos, nem me satisfazer com metades e muito menos ter medo de ficar sozinha. Descobri que a parte que eu mais precisava era a parte de dentro de mim!

Foi entre um copo e outro que conheci novos pensamentos e lugares. Não tenho tanta experiência assim, não sou viajada, mas talvez isso não signifique muita coisa. O que nos contribui para tornarmos pessoas melhores é a intensidade que vivemos, as coisas que observamos, o que adquirimos como experiência e o que levamos como lição. 

E o desfecho é sempre o mesmo. Viver sem medo tentar. Fazer sem receio de errar. Deixar partir e poder partir. Se não te faz bem, tenta melhorar. Se fez a sua parte e não adiantou, se toca. As idas são corajosas, as vindas são expectativas e as voltas são precisas. Sentir é fato, a alegria e o sofrimento são momentâneos. Respire fundo, coloque um sorriso no rosto e seja feliz, o resto se conserta depois. 

Maíra Cintra

3 comentários:

Samala disse...

Maíra, se esse texto é verídico não sei, mas foi tão verdadeiro... parabéns!

Luiza Helena Renó disse...

Oi Maíra.Boa tarde!
Você sabe que sou sua fã.
Adorei seu texto .Ao ler me identifiquei em muitas partes.
Parabéns por ter sido tão verdadeira.Adoro pessoas transparente e que falam as claras.
Beijos

Anônimo disse...

Posso imaginar que não tenha sido fácil carregar ressentimentos. Eu mesmo me sinto culpado ao ler esse texto. Me questiono pq não fui alguém melhor, principalmente com vc. Parabéns pela pessoa que se tornou. Tenho mais que certeza que esse seu crescimento está apenas no começo. Sdds