Singular



Eu não sou poeta meu bem. Eu apenas dou vida as minhas palavras. Dou sentido ao que sinto. Faço silêncio nos meus barulhos. É meu protesto, é minha ira, é meu conforto, é minha morada. É onde eu me escondo de tudo que eu penso. É a minha melhor viagem. Às vezes tão longe e outras tão perto. Transformo alguns lugares os melhores do mundo. É onde eu esqueço de mim para descobrir quem eu realmente sou.

Posso ser quem eu quiser em apenas cinco palavras. Faço de um pequeno espaço um abrigo enorme para que meus pensamentos se ajeitem da melhor forma. Dou forma as coisas que se diluíram. Dou tempo ao que se anda depressa demais. É a minha calmaria em época de distúrbios. Não faço apenas por vontade, faço porque há uma força maior que isso e que as minhas próprias palavras não conseguem definir.   

Não existe quem tire essa minha inquietação, essa minha obsessão por mim mesma. É tão singular essa minha maneira de me manter viva e não consigo imaginar como eu seria se eu fosse do jeito que as pessoas me enxergam. E não existe quem me tire daqui, sou minha própria refém e não há lugar melhor do que me prender dentro de mim.

Maíra Cintra

2 comentários:

Ricky Oz disse...

Oi, Maíra!
Ótimo texto, me identifiquei ^^

Voltei a escrever no blog!
Veja lá! http://rickyoz.blogspot.com.br/

Ana Laura disse...

Perfeito. Profundo. Encantador. A escrita nos descreve e ao mesmo tempo nos transforma até em quem queremos ser.

Parabéns Maíra!