Sempre fui assim,

diferente das meninas da minha idade. Nunca entrei em certas modinhas, odiava gritos histéricos, não entrava em transe quando via um menino bonito. Aliás, nunca morri de paixonite por nenhum garoto, nem era de ficar correndo atrás, de demonstrar interesse. Não porque já sabia que homens não gostam de mulheres atiradas, mas porque era meu jeito mesmo. Não conseguia entrar em certos assuntos, não me enturmava fácil, não gostava de brincadeirinhas sem graça. Costumava guardar todas as coisas que me incomodavam, ficava magoada à toa, chorava escondida no meu quarto e descontava minha raiva em frascos de perfumes e em enfeites de criado mudo. Eu achava que só meu bichano me entendia, só ele que vinha correndo quando eu chegava, parecia que sabia que eu não estava bem! Era encabulada com meu corpo, com as minhas bochechas vermelhas e me achava a mais feia de todas. Eu sofria por ser assim, pensava que eu não era normal, me perguntava porque eu não conseguia ser como as outras, ser espontânea como elas, falar e fazer as mesmas coisas. Com o tempo descobri que assim como eu não me aceitava as outras pessoas também não. Fui percebendo que ali não era meu lugar, fui crescendo quando conheci outras verdades e outros lugares. Sai de um mundo para conhecer vários mundos. Me identifiquei com o simples, com a realidade, com as idas e vindas de pessoas que me fizeram tornar quem eu sou hoje. Aprendi a me aceitar e fazendo isso pude colaborar com o meu amadurecimento. Diminui um pouco das coisas que fui e acrescentei outras coisas que aprendi. Não me importo mais em agradar alguém, mas ser alguém que se importa em me agradar. No fundo sou a mesma de antes, mas cometendo erros diferentes. Sou o que sou sem querer ser... e quer saber? Eu adoro ser assim. Se tiver que mudar algo, Deus faz isso.

Maíra Cintra

3 comentários:

Michele disse...

Isto se chama personalidade ;)

Um beijo querida,
Mih

Ju Fuzetto disse...

E não precisa mudar nada. Os pequenos detalhes são os mais charmosos!

beijos Linda!

Marina Cintra disse...

Lindo o texto Mah,
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